Home / Noticias / Mulher brasileira que nasceu sem língua tem vida nova

Mulher brasileira que nasceu sem língua tem vida nova

Auristela, uma brasileira, apaixonada pela vida, tem muita história para contar. Foi submetida a cirurgias e tratamento para aprender a engolir e falar, pois a jovem nasceu sem língua, e apesar das dificuldades enfrentadas, não deixou de sonhar. Ela se formou em técnico de enfermagem e acredita que ter passado por todo o processo de uma reconstrução cirúrgica, fez com que seu amor pela área da saúde crescesse.

Aos 23 anos, Auristela é um caso raro na história da medicina e agradece a sua vida a Deus e aos cirurgiões buco-maxilo-faciais brasileiros que fizeram sua reconstrução.

Há apenas mais dois casos iguais ao dela descritos na literatura médica.

A jovem diz que a experiência que teve dentro dos hospitais e com as cirurgias que fora submetida, a ajudaram na formação e no amor pela enfermagem.

“Eu sinto que eu sou capaz. Eu nasci assim não foi à toa, é uma oportunidade de aprendizado e devo dar valor à vida mesmo com todas as dificuldades. O sol nasce para todos”, diz a jovem.

Auristela recebeu alta médica em 2012, depois de um longo período de acompanhamento. O caso dela foi conduzido pelo cirurgião buco-maxilo-facial Frederico Salles.

Quando criança, a menina sofria com dificuldades para engolir, respirar,falar e ainda apresentava várias lesões bucais, afinal a salivação era deficiente.

O encontro com o cirurgião Frederico Salles ocorreu no ano de 1995, quando a mãe dela procurou ajuda.

“É uma anomalia incompatível com a vida, e por isso você não consegue ver os casos. Eles morrem antes do diagnóstico. Usamos a língua para comer e falar”, disse o Dr Salles. “A mãe foi essencial. Como a menina não engolia o leite quando nasceu, ela comprou uma mamadeira de plástico que pudesse ordenhar, alargou o bico e, com a cabecinha da criança entre os joelhos e um pouco inclinada, jogava o leite direto na garganta dela.”

“A época triste foi quando eu era pequena. Meus colegas me chamavam de Maria babona e nas festas juninas meu par sempre sumia. Ninguém queria dançar comigo”, lembra. “Eu me sentia triste, me arrumava toda para dançar quadrilha e chegava na hora era isso: todas as meninas bonitinhas com o seu par e eu dançando com a professora.”

A mãe afirma sentir muito orgulho de Auristela. A dona de casa afirmou que as dificuldades ajudaram toda a família a crescer. O essencial, diz, era sempre conversar com a menina e explicar que tudo que ela enfrentava é normal, já que todas as pessoas têm alguma dificuldade.

O caso clínico

Chamada de aglossia congênita, esta é uma condição que foi citada pela primeira vez em 1718, pelo médico francês Antoine de Jussieu.

Para que estes tipos de pacientes sobrevivam, são necessárias expansões cirúrgicas da mandíbula e fortalecimento da musculatura da boca, pois são quem substituem a língua. Foram utilizados um expansor cirúrgico na mandíbula e aparelho ortodôntico.

No caso de Auristela, os músculos da boca são mais fortes do que o normal. A jovem necessitou de acompanhamento com psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, dentista e dois cirurgiões durante 16 anos.auristela-e1468194334842-300x225

Top